O que é a Endometriose?

“Como ultrapassar “Naturalmente” esta situação?”

A endometriose é uma patologia crónica, estrogénio-dependente, que se caracteriza pela presença de tecido do endométrio, fora do útero. Pode migrar e implantar-se à volta dos órgãos pélvicos, como ovários, trompas de Falópio, parte externa do útero, abdómen, entre outros.

O tecido endométrico, fora do útero, continua a reagir ao estrogénio e à progesterona, hormonas que aumentam progressivamente, à medida que se aproxima o período ovulatório, e provocam o espessamento do tecido uterino.

Em consequência, o tecido extrauterino, também se espessa. Fora do endométrio não há mecanismo, para que o sangue espessado seja evacuado pelo organismo, provocando, muitas vezes, quistos, que se transformam em tecido cicatrizante e aderências. O sangue retido, inflama o tecido circundante, podendo originar dor intensa.

Estima-se que possa afetar cerca de 70 milhões de mulheres em todo o mundo, sobretudo, em idade reprodutiva e associado a dor e infertilidade. Isto demonstra a importância ao nível epidemiológico.

ETIOLOGIA

As causas desta patologia não são claras, opiniões dividem-se e surgem várias teorias:

  1. Células endométricas recuam nas trompas de Falópio, aderem e começam a crescer;
  2. O fluxo sanguíneo transporta as células endométricas para localizações fora do revestimento interno do útero;
  3. Células do abdómen são capazes de se transformar em células endométricas
  4. Endometriose é genética e transmite-se geneticamente.

SINTOMAS

No que respeita a sintomas, as pacientes apresentam dor pélvica em 40% dos casos, dismenorreia e dispareunia, em 40 a 60% dos casos. São ainda referidos sintomas urinários e intestinais. A infertilidade acomete entre 5 a 50% de mulheres com endometriose e 16% das mulheres são assintomáticas.

Normalmente, as dores estendem-se à parte inferior das costas e podem detetar-se fluxo menstruais abundantes, prolongados e irregulares.

Entre os fatores associados, estão desequilíbrios hormonais, níveis elevados de estrogénios e uma debilidade no sistema imunitário.

DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO

O diagnóstico é feito através de história clínica (inquirir sobre a intensidade e localização da dor, hemorragia menstrual) exame físico (no exame pélvico pode-se detetar eventuais quistos, e tecido cicatrizado nos órgãos pélvicos), exames complementares, como ultrassonografia e ressonância nuclear magnética, ecografia transvaginal para confirmação de quistos e aderências.

Pode ainda fazer uma terapêutica de inibição da hormona libertadora de gonadotrofina, através de uma injeção que inibe o trabalho dos ovários, se a dor melhorar, considera-se um diagnóstico de endometriose.

Em termos de prognóstico, sabe-se que a terapia hormonal e a laparoscopia, não curam a doença, mas aliviam sintomas.

As hipóteses de cura, são mais viáveis com o recurso à histerectomia total. Embora raros, os casos de novas investidas da doença, mesmo após remoção cirúrgica, podem ocorrer.

De que forma a Naturopatia pode ajudar? 

São vários os recursos da Naturopatia.

Após observação do paciente e anamnese detalhada, com ou sem o apoio do aparelho de diagnóstico quântico é elaborado um plano terapêutico personalizado em função do estágio da doença, hábitos alimentares e sociais do paciente, pré disposição na alteração de rotinas, com o objetivo de pesquisar as causas e ajudar na sua recuperação ativa.

Pontos essenciais

Alimentação

A dieta deve contemplar alimentados fermentados e germinados (por exemplo, de brócolos, os mais ricos em antioxidantes) para proteção da flora intestinal.

Para ajudar à desintoxicação e circulação entero hepática, deve aumentar-se o consumo de fibra, não só dos legumes, mas das sementes, como chia, cânhamo, farinha de côco (muito rica em fibra), linhaça moída (4 a 6gr. de fibra).

Para se alterar a via de metabolização dos estrogénios, abusar dos glucosinolatos, presentes no grupo das brássicas (brócolos, couve de bruxelas, repolho, rúcula, agrião, rabanete…)

Alimentos de cor variada no prato, preferindo o verde (ajuda no metabolismo dos estrogénios) e o roxo (contém muitos antioxidantes).

Evitar carnes vermelhas pela quantidade de hormonas e toxinas acumuladas nos tecidos animais.

Frutas ricas em enzimas anti-inflamatórias (ananás e papaia).

Consumir, preferencialmente, produtos biológicos, evitam disruptores endócrinos (pesticidas, aditivos químicos).

A dieta deve ser rica em vitaminas do complexo B (cereais integrais, vegetais de folhas escuras), selénio, magnésio, ómega 3.

No caso de se verificar uma anemia ferropriva, todas estas indicações serão favoráveis à minimização deste distúrbio. Acresce que todos os alimentos ricos em ferro, devem ser consumidos conjuntamente com vitamina C, em forma de alimento ou suplemento, para potenciar a absorção deste mineral.

Existem vários suplementos excelentes, ricos em diversos nutrientes, incluindo o ferro.

Suplementos

Devem incluir as vitaminas e minerais referidos, caso a dieta não seja suficiente, suplementos de cogumelos orientais (shiitake, reishi, maitake) para suporte do sistema imunitário.

Curcumina, pelo seu elevado poder anti-inflamatório.

Superalimentos verdes (clorela, Spirulina, erva de cevada, erva de trigo)

Probióticos

Ómega 3

Enzimas proteolíticas (bromelaína, papaína, tripsina, rutina)

Complexos multivitamínicos, minerais e oligoelementos.

De acordo com o perfil patológico do paciente, grau de manifestações clínicas, ajustam-se dieta e suplementação natural para atenuar a sintomatologia e minimizar os efeitos estruturais e funcionais.

A Naturopatia dispõe ainda de muitas outras ferramentas como Fitoterapia, com recurso a diversas plantas( com capacidade de desintoxicação, regulação hormonal, reforço do sistema imunitário, relaxamento e poder anti inflamatório), Aromoterapia, Florais de Bach, Homeopatia e Sais de Schussler.

Sem recurso a substâncias químicas e, obviamente, de acordo com o estágio da doença e estado geral do paciente, é possível criar um plano estratégico, com um grau de eficácia e fiabilidade consideráveis, de prevenção da doença, de alivio sintomatológico e de minimização da patologia, através da aplicação de terapias naturais, as quais abrangem um espectro de ação, muito mais amplo que a simples redução dos sintomas.