Oncologia e Doenças Degenerativas

Cancro do Pâncreas

Fisiopatologia da doença, Tratamento Convencional & Abordagem Naturopática

Anatomia e Fisiopatologia

Em termos anatómicos, o pâncreas é uma glândula do aparelho digestivo localizada na parte superior do abdómen e atrás do estômago. Pesa cerca de 100gr. e mede cerca de 15cm. Está dividido em três partes, cabeça, corpo e cauda. É denominado de glândula anfícrina pela sua dupla função endócrina (produção de insulina e glucagon, responsável pelo controle glicémico no sangue) e exócrina, secreção de suco pancreático rico em enzimas para fins de digestão dos alimentos. “A componente exócrina compreende cerca de 90 a 95% da massa do pâncreas(…) a componente endócrina compreende apenas 1 a 2% da sua massa (…)”.(Rodrigues, 2012)

O adenocarcinoma surge em qualquer local do pâncreas, sendo o foco mais frequente na cabeça (60%), seguido pelo corpo (10%) e pela cauda (5%). Nos 25% restantes é acometido difusamente. Os carcinomas que surgem na cabeça, são na sua generalidade, menores do que aqueles que surgem no corpo e na cauda e são mais limitados em termos de disseminação regional mais distante.

O carcinoma da cabeça é mais facilmente detetável precocemente pois há tendência para obstrução biliar e icterícia, pela compressão da Ampola de Vater e Colédoco.

Em termos de visão microscópica a formação neoplásica do pâncreas é uma “massa multinodular dura, acinzentada, pouco demarcada, na maioria das vezes engastada em um estroma do tecido conjuntivo denso.” ( Rubin Emanuel, Bases Clinicopatológicas da Medicina, 4ª Edição, Guanabara Koogan 2006 Enciclopédia da Nova Medicina, Printer Portuguesa 2008, pg.833).

Metástases

Os tumores da cabeça do pâncreas poderão invadir a parede do colédoco e a zona duodenal provocando atrofia do corpo e da cauda. O cancro pancreático metastiza frequentemente para os gânglios linfáticos regionais e fígado. Outras metástases comuns acometem órgãos como os pulmões, as suprarrenais, o peritoneu e os ossos. Ocasionalmente pode estender-se ao estômago e duodeno.

Tipologia e Estágio da doença

Os tumores pancreáticos podem ser de dois tipos: endócrinos e exócrinos.

A forma mais comum da doença é o adenocarcinoma ductal pancreático, correspondendo a cerca de 90 a 95% dos casos tumorais, os restantes são tumores acinares, tumores produtores de mucina e tumores endócrinos. (Rodrigues, 2012) (Need, 2012)

Estágios da doença:

Nível I – Tumor está circunscrito ao pâncreas

Nível II – Tumor invadiu os tecidos circundantes, mas preservou os vasos sanguíneos. Pode ter atingido os gânglios regionais.

Nível III – Tumor invadiu os vasos sanguíneos

Nível IV – Tumor atingiu órgãos distantes como pulmão e fígado

Etiologia

Os fatores causais são obscuros, porém estudos epidemiológicos apontam fatores relacionados tanto com o hospedeiro como com o ambiente.

Poderemos apontar o fumo, o qual aumenta duas a três vezes a possibilidade de risco de cancro pancreático; carcinógenos químicos como os hidrocarbonetos policíclicos e nitrosaminas; fatores dietéticos como a ingestão de carne e gordura; diabetes melitus, estima-se que 80% dos pacientes com cancro pancreático apresentam evidência de diabetes melitus.

Ocorre também o caso de a diabetes ser provocada pelo próprio cancro. Todavia estudos prospetivos indicam que a incidência de cancro pancreático é superior em pacientes com valores anormais de tolerância à glicose.

Poderemos apontar também a pancreatite crónica como um fator de risco acrescido para o desenvolvimento do tumor, embora não sejam gritantes os casos em que se verificou esta associação.

A genética molecular é mais evidente para os cancros dos ductos pancreáticos pois estes exibem inúmeras alterações genéticas com considerável frequência.

Sinais e Sintomas

Os sintomas mais evidentes são:

  1. Anorexia Perda de peso

2. Dor corrosiva na zona do epigástrio com irradiação para as costas

3. Icterícia (presente em metade de todos os pacientes com cancro localizado na cabeça do pâncreas e em menos de 10% daqueles que apresentam tumor no corpo e cauda)

4. Caquexia Sinal de “courvoisier” – dilatação aguda indolor da vesícula biliar acompanhada de icterícia, por compressão do tumor e obstrução do colédoco.

5. T.V.P. em cerca de 10% dos pacientes, sobretudo quando o tumor acomete o corpo e a cauda. Embora tais situações sejam de difícil explicação, sabe-se que algumas células tumorais ativam o fator plasmático pela síntese de uma protéase serina. Esta ação provoca uma atividade pró-coagulante.

Terapêutica Convencional

Como foi anteriormente referido, o diagnóstico precoce do cancro do pâncreas, não é comum dado ser assintomático e os primeiros sinais ocorrem quando o estadio da doença se encontra avançado.

A maioria dos cancros já terá metastizado no momento em que se consegue diagnosticar e a cirurgia designada como “curativa” apenas é viável numa percentagem pequena dos casos. O tratamento dependerá, assim do estadio da doença, da idade, saúde do paciente e da disseminação do mesmo.

A única opção de tratamento alopático, passível de cura, é a remoção cirúrgica do tumor.

Em termos figurativos, de 100 pacientes com carcinoma do pâncreas, apenas 20 são aprovados para observação por laparotomia “explorative laparotomy”.

Destes 20, apenas 13/14 têm hipóteses de se proceder a remoção cirúrgica e destes, apenas 50% terão êxito, em termos de erradicação patológica.

Existem várias técnicas cirúrgicas para remoção do tumor que dependerá da localização do mesmo e do estadio da doença.

Se for na cauda do pâncreas pode haver necessidade de remoção do baço, se for na cabeça pode comprometer parcialmente o duodeno. Quando o cancro se expande e envolve vasos sanguíneos importantes, torna-se difícil a sua remoção.

Procedimento de Whipple

É a cirurgia mais comumente utilizada. O procedimento envolve a remoção da cabeça do pâncreas, parte baixa do estômago, duodeno, porção do colagogo e dos nós da linfa circunvizinhos. A parte restante do pâncreas, estômago e colagogo são conectados ao intestino (Bypass).

Quimioterapia

A cirurgia é seguida por quimioterapia para matar restantes células cancerosas. Administrada intravenosa ou oralmente.Por vezes a quimioterapia é administrada também antes da quimioterapia (Need, 2012).

Os efeitos secundários dependem muito do tipo de droga que é administrada. A quimioterapia irá exterminar as células cancerígenas bem como as células sãs. Ou seja, as células sanguíneas, hemoglobina e glóbulos brancos, tornado a pessoa fraca e exposta a infeções oportunistas.

Afetará as células capilares induzindo à perda dos folículos pilosos, bem como as células do trato digestivo, causando sintomatologia variada como: náuseas, vómitos, diarreia e estomatite aftosa.

Medicamentos comumente utilizados na quimioterapia são:

Gemcitabina; 5-Fluorouracilo (5-FU); Irinotecano; Oxaliplatina; Paclitaxel ligado à albumina; Capecitabina; Cisplatina; Paclitaxel; Docetaxel.5

Radioterapia

Utiliza feixes de alta energia e pode ser utilizada antes da cirurgia para diminuir o tumor e aliviar a dor ou após o mesmo. Estudos desenvolvidos neste âmbito da radioterapia demonstram que o aumento da esperança de vida com o recurso a esta prática não ultrapassa os 22 meses após diagnóstico da mesma.

ABORDAGEM NATUROPÁTICA

Psicossomática

As emoções associadas a este órgão são a ansiedade e preocupação. Quando existem em demasia, desequilibram o funcionamento do mesmo, causando alteração das funções orgânicas a ele associadas, pelo que a imunidade, a regeneração tecidular, as funções cerebrais vão estar comprometidas.

Louise Hay diz que os problemas cancerígenos, advém de feridas ou mágoas profundas, que ficam guardadas na forma de ressentimentos de longa data, ou até segredos e sofrimentos guardados por longos períodos e que consomem a pessoa.

No caso do cancro do pâncreas estes processos podem estar então associados ao que Louise chama de “perda de doçura da vida”. Esta falta de doçura – associada ao pâncreas por ser o órgão responsável pela manutenção dos níveis de açúcar na corrente sanguínea – é um acontecimento processado pelo individuo de maneira tão profunda que acaba por causar uma grande frustração, ansiedade e preocupação devido à mudança na percepção dos processos diários da vida do individuo.

Muitos outros autores investigaram e escreveram sobre a origem psíquica das enfermidades, apresentando teorias de grande interesse, sendo que de entre as mais interessantes e válidas se encontra a de Dr. Ryke Hammer, que muito estudou os processos que levam á somatização das patologias no corpo físico, o que o levou a criar uma abordagem completamente nova ao tratamento das doenças.

Através do estudo durante vários anos e observação de mais de 31.000 pacientes oncológicos, Hamer construiu a hipótese de que todos os cancros são causados por um tipo de choque que origina um conflito biológico, e observou que este choque se manifesta fisicamente no cérebro, podendo ser observado em TACs como um conjunto de círculos concêntricos aos quais se chamou de focos de hamer, afetando através da alteração dos estímulos do sistema nervoso os parâmetros de crescimento e desenvolvimento celular, originando desequilíbrios nos tecidos e órgãos que degeneram em neoplasias.

Alimentação

Um dos passos mais importantes no tratamento do cancro é a alteração dos hábitos alimentares.

Os conhecimentos sobre os alimentos são muito reduzidos na maior parte dos Médicos Oncologistas, pelo que na sua grande maioria não aconselham os doentes a alterar a alimentação, não sendo para estes a alimentação um factor determinante no desenvolvimento tumoral nem na sua cura.

A alimentação ocidental nos dias de hoje é constituída essencialmente por:  Açúcares refinados; Farinha refinada; Óleos vegetais. Fontes alimentares que não contêm nutrientes funcionais, como minerais, vitaminas proteínas, essenciais para o correto funcionamento do organismo, mas que apenas servem para alimentar o desenvolvimento do cancro.

Existem alimentos que nos seus constituintes contêm moléculas com conhecidas propriedades anticancerígenas, devendo ser recomendado o seu uso.

Num paciente oncológico deve-se aconselhar uma alimentação saudável, natural e anti-inflamatória, proporcionando efeitos terapêuticos diários e influenciando em simultâneo os vários mecanismos que diminuem ou aceleram o desenvolvimento do cancro, sem os efeitos secundários, ao contrário dos medicamentos.

Deve ainda ser explorada a sinergia entre os vários alimentos, pois a acção anti cancro é exponenciada, permitindo uma abordagem mais abrangente.

Indicamos quais os alimentos a evitar e os alimentos recomendados :

Alimentos a evitar

Lacticínios

O leite contem 38 hormonas e promotores do crescimento, em especial o IGF1. Causa um aumento celular e inibe a apoptose

Açucares

Está provado que o cancro alimenta-se do açúcar. O exame PET utiliza essa valência para determinar quais as áreas com aumento do consumo de glicose. O aumento de glicose estimula a secreção de insulina e IGF que estimula o crescimento celular, promovendo também a inflamação. Substituir por: Agave, stévia, açúcar de coco ou geleia de arroz.

Carne, ovos

A pecuária industrial alimenta os animais com rações de soja, milho e trigo, que não contêm ómega 3 mas sim bastante ómega 6, que tem acção inflamatória. Deveria existir um equilíbrio entre estes dois ácidos gordos essenciais, para manter o bem-estar fisiológico. De salientar também a presença de hormonas de crescimento nos produtos animais.

Álcool

Propriedades imunossupressoras e oncológicas

Alimentos Como a margarina rica em gorduras hidrogenadas, refrigerantes, snacks, processados, bolachas, batatas fritas, óleos vegetais (soja, palma, girassol)

Alimentos a privilegiar

Chá verde

Contem catequinas, sendo a principal a EGCG. Inibe a angiogénese. Desintoxicante e antioxidante do organismo, estimula a apoptose celular. O chá verde Sencha, Matcha ou Gyokuro são mais ricos em EGCG

Azeite

Rico em antioxidantes que inibem e retardam a progressão do cancro

Soja

As isoflavonas de soja neutralizam os mecanismos de sobrevivência e desenvolvimento do cancro. Bloqueiam a angiogénese. Optar por produtos germinados ou fermentados.

Açafrão da India

Anti-inflamatório, inibe o desenvolvimento do cancro. Inibe a angiogénese, estimula a apoptose. É um antagonista do NF-KappaB, mecanismo que protege as células cancerígenas das defesas do organismo. Para potenciar a sua acção, juntar sempre pimenta preta.

Cogumelos (Shiitake, Maitake, Enoki, Portobello…

Contem uma molécula chamada lentinana e outros polissacáridos que estimulam o sistema imunitário. Inibem a angiogénese, estimulam a apoptose.

Amoras, framboesas, morangos, mirtilos e cerejas.

O ácido elágico presente nas framboesas e morangos reduz o desenvolvimento de tumores, diminui a angiogénese e impede que as substâncias cancerígenas se transformem em tóxicos, estimulando a sua eliminação. A cereja contém ácido glucárico que facilita a eliminação dos xeno-estrogénios. Os mirtilos são ricos em antocianidinas e proantocianidinas, moléculas indutoras de apoptose.

Frutos de caroço (ameixa, pêssego, nectarinas)

Ricos em elementos anticancerígenos. Poderosa acção antioxidante.

Citrinos

Os flavonóides conferem o efeito anti-inflamatório. Promovem a desintoxicação através do fígado

Especiarias e ervas aromáticas

Propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

A hortelã, o tomilho, o manjericão e os orégãos são ricos em terpenos, que reduzem a propagação das células cancerosas e estimulam a apoptose. O carnosol do alecrim impede 21 a invasão dos tecidos circundantes, levando a uma perda de virulência do cancro. A apigenina abundante na salsa e aipo inibem a angiogénese.

Gengibre

Possui acção anti-inflamatória e antioxidante. Inibe a angiogénese. Alivia nas náuseas, efeito secundário dos tratamentos convencionais.

Crucíferas (Couves) Contêm sulforafao e indole-3-carbinol (I3C), moléculas capazes de desintoxicar o organismo e impedem o desenvolvimento de células cancerosas. Promovem a apoptose e inibem a angiogénese.

Aliáceas (Alho, Cebola, Alho Francês e Cebolinho)

Ricos em enxofre que inibem alguns compostos cancerígenos como as nitrosaminas. Regulam os níveis de açúcar no sangue, levando a uma diminuição na secreção de insulina, IGF e o crescimento tumoral.

Carotenóides (Cenouras, Batatadoce, Abóbora, Tomate…)

Todos os legumes e fruta de cores vivas. A vitamina A e o licopeno inibem o crescimento tumoral. A luteína, o licopeno, o fitoeno e a cantaxantina estimulam o sistema imunitário.

Algas (Kombu, Nori e Wakame)

As algas Kombu e Wakame contem fucoidan que promove a apoptose e estimula o sistema imunitário, A fucoxantina é um carotenoide inibidor do crescimento celular. A Nori contém ómega 3, essencial no processo antiinflamatório.

Vinho tinto

O resveratrol é um poderoso polifenol, mais concentrado no vinho devido ao processo de fermentação. Actua nos genes que protegem as células do envelhecimento e retarda o início, o desenvolvimento e progressão do cancro, bloqueando a acção do NF-KB.

Chocolate preto

Com uma percentagem superior a 70% de cacau, contem antioxidantes, proantocianidinas e polifenóis que abrandam o crescimento tumoral e limitam a angiogénese. Baixo índice glicémico, não ocorrendo picos de insulina nem de IGF 1

(Informação baseada na informação contida no Livro Anti Cancro, Servan-Schreiber David. 11ª Edição 2016, Lua de papel ISBN: 978-989-23-1744-1 22 )

Para uma alimentação correta a mesma deve seguir algumas regras:

Alimentação viva

Bastante consumo de legumes, fruta, germinados e fermentados (Tempeh, Miso, Chucrute).

Alimentação natural

a) Deve respeitar as regras naturais. Quanto menos manipulada melhor.

 Preferir alimentos da região e época

 Refeições regulares e sem excessos

 A comida deve ser bem misturada, bem cozinhada e confecionada com amor.

A boa e adequada alimentação é uma das peças chave neste processo de tratamento mas não é a única opção, neste artigo explora-se mais a vertente alimentar, no que respeita às terapias naturais, mas nos próximos, iremos abordar as múltiplas valências da Naturopatia e Medicina quântica no tratamento oncológico, ( quer do cancro do pâncreas como nas demais neoplasias), como terapia coadjuvante e complementar ao tratamento convencional necessário.

Iremos abordar temas como:

Importância da estimulação do sistema imunitário

Tratamentos Alternativos e Complementares que irão ajudar, por um lado a minorar os efeitos adversos da quimioterapia e por outro, a potenciar esse mesmo tratamento, no sentido de que este possa ter maior eficácia.

Por exemplo, terapia quântica, fitoterapia, exercício físico adequado, tratamento emocional, homeopatia, entre outros.

O importante é perceber que, sabendo de antemão que cada caso é único, é possível, no entanto, atuar no sentido de aumentar a qualidade de vida do paciente, reduzindo os efeitos secundários decorrentes da quimioterapia e radioterapia, através da aplicação das estratégias terapêuticas, suportadas por estudos científicos que atestam a eficácia no maior conforto do paciente.